A expectativa das pessoas sobre a IA mudou, e eu vejo isso como um bom sinal. Nas minhas primeiras palestras, em 2023, ver a ferramenta escrever um e-mail, traduzir um texto ou criar a descrição de um site já impressionava a plateia. Hoje todo mundo se acostumou com isso, porque a IA entrou na rotina das pessoas.
O que muita gente ainda não percebeu é o quanto dá para fazer. Nas palestras e nas empresas que visito, vejo muitas pessoas paradas no texto. Sabem que a IA escreve, mas ainda não entenderam o que mais ela consegue fazer no trabalho do dia a dia. A expectativa é grande, e as possibilidades também são.
Quem aprendeu junto
Acompanhei vários profissionais que começaram lá no início, com textos, e-mails e ideias, e foram aprendendo conforme as ferramentas evoluíam. Cada atualização encontrava essas pessoas já praticando, então elas conseguiam aproveitar o que aparecia de novo.
Hoje elas colhem o resultado. Estão sendo reconhecidas, conquistando novos espaços e usando recursos que muita gente ainda nem conhece.
Outras pessoas olharam para a IA no começo e acharam pouco. Mexer num texto? Deixa que eu escrevo. Como não começaram, também não acompanharam as mudanças, e hoje muitas nem sabem direito o que foi atualizado nas ferramentas.
Tem também quem usa só os planos gratuitos ou ferramentas limitadas. Com essa referência, fica difícil enxergar o quanto a IA pode mudar a rotina de trabalho.
O caso do SCMC
Um dos casos que acompanhei de perto foi o do Santa Catarina Moda e Cultura (SCMC). A equipe começou como quase todo mundo, com textos, e-mails e ideias. Ao longo das nossas conversas e consultorias, foi aprendendo a construir com a IA e criou um aplicativo de gestão próprio, que já está em uso.
O aplicativo reúne informações de clientes, CRM e planejamento de atuação no mercado, conectado aos e-mails, a ferramentas de análise e ao sistema de contabilidade e financeiro. É mais do que um CRM.
Chamo isso de um aplicativo vivo. Quando a equipe muda a forma de trabalhar, atualiza a ferramenta junto. Se uma consultoria de gestão traz um processo novo, eles conseguem levar essa mudança para o próprio sistema, sem depender de uma equipe externa de desenvolvimento.
Meu conselho
Meu conselho é começar aos poucos e com curiosidade. Teste a ferramenta no maior número de situações que conseguir. Quando a resposta não sair como você queria, olhe para ela e pergunte o que faltou no seu pedido. É assim que se aprende a conversar com a IA.
Como mudou meu trabalho
Eu mesmo fui ampliando o que peço. Ainda peço revisão de e-mail, claro. Mas também entrego para a IA o que ficou registrado das minhas reuniões com um cliente, o contrato assinado e a metodologia que já aplico em outras empresas. Com isso, ela me ajuda a montar um workshop ultrapersonalizado para o nicho daquele cliente, com materiais de apoio e já pensando nas perguntas que o público pode fazer.
Isso mudou também o jeito como conduzo as reuniões. Como sei que depois a IA vai olhar esses registros e me ajudar a pensar, faço perguntas mais específicas e deixo anotadas coisas que vou usar mais tarde. Pergunto coisas que antes eu não perguntaria, sabendo que aquilo vai virar material para o meu trabalho.
Para testar
Se você ainda usa a IA só para revisar textos, escolha uma tarefa real desta semana e entregue mais contexto: o histórico do cliente, os documentos do projeto, o jeito como sua empresa costuma fazer aquilo. Veja o resultado, ajuste o pedido e tente de novo. Cada teste mostra um pouco mais do que a ferramenta já consegue fazer.