Nos meus workshops, sempre tem alguém que pergunta se pode colocar dados da empresa no ChatGPT. É uma dúvida justa. A IA rende muito mais quando recebe informação de verdade, como a planilha de vendas, um contrato ou a lista de clientes, e é exatamente esse tipo de informação que a empresa não pode deixar escapar.
A minha resposta passa pelo plano que a empresa usa.
O preço do gratuito
O plano gratuito tem uma troca: o que você escreve pode ser usado para treinar os modelos. Isso vale para as ferramentas americanas e para as chinesas.
- ChatGPT: a OpenAI diz que pode usar o conteúdo dos planos individuais (Free, Plus e Pro) para treinar os modelos. Dá para desligar em Configurações > Controles de dados.
- Gemini: a própria central de privacidade avisa que parte das conversas é lida por revisores humanos e pede: “Não insira informações confidenciais que você não quer que sejam revisadas ou usadas pelo Google”.
- Claude: desde 2025, os planos Free, Pro e Max pedem que a pessoa escolha se libera as conversas para treino. Quem libera tem os dados guardados por até cinco anos.
- DeepSeek: a política de privacidade diz que os dados ficam em servidores na China.
Repare que o problema chega até planos pagos. O colaborador que assina o Plus no cartão pessoal continua nos termos de consumidor, e a empresa continua sem controle.
Quem não escolhe fica mais exposto
Uma pesquisa da Microsoft com o LinkedIn, com 31 mil pessoas em 31 países, mostrou que 75% de quem trabalha com conhecimento já usava IA no trabalho em 2024. Desses, 78% levavam as próprias ferramentas, sem esperar a empresa.
Ou seja, a equipe vai usar IA com ou sem estratégia. Se a empresa não escolhe uma ferramenta, cada pessoa abre a sua conta gratuita e joga ali a planilha de vendas, a lista de clientes, o contrato que precisa revisar. Cada um numa IA diferente. E a empresa não sabe o que saiu, nem para onde.
Bloquear também não funciona. Quem quer usar, usa escondido no celular, e aí o controle fica ainda menor.
O que o plano business garante
Google, OpenAI e Anthropic têm planos para empresas com regras diferentes:
| Plano gratuito ou individual | Plano business | |
|---|---|---|
| Treino com seus dados | Pode acontecer, conforme a configuração | Não, por padrão |
| Quem decide | Cada colaborador | A empresa |
| Regras | Termos de consumidor | Contrato comercial |
Na OpenAI, por exemplo, os dados do ChatGPT Business e Enterprise ficam criptografados no armazenamento e na transmissão. No Enterprise, a empresa também pode definir por quanto tempo eles ficam guardados. No Gemini do Google Workspace, o Google diz que o conteúdo não é usado para treinar os modelos. Os planos Team e Enterprise do Claude seguem os termos comerciais da Anthropic, que ficaram de fora da mudança de 2025.
Na prática, o contrato é parecido com o que a gente já tem com o Google Workspace ou com o OneDrive: eles guardam seus arquivos para prestar o serviço, e o contrato limita o que podem fazer com eles. Seus dados não viram material de treino.
Por que eu confio (por enquanto)
Até agora, não vi nenhum grande vazamento ou polêmica de dados envolvendo esses planos business desde que eles foram lançados. É o que observei até aqui, sem garantia de que continue assim.
E essas empresas dependem muito da confiança do mercado para continuar crescendo, inclusive para chegar a um IPO. Um escândalo com dados de clientes corporativos pesaria muito nisso.
Por isso, num plano business, eu uso IA para montar aplicações, planilhas e controles financeiros com dados reais.
Para começar
Escolha uma ferramenta, contrate o plano business para a equipe e combine o que pode e o que não pode ir para lá. Antes disso, pergunte para a equipe quais IAs cada um já usa hoje. A resposta mostra bem o tamanho do risco.